MEDICINA ORTOMOLECULAR

Noticias e comentários sobre medicina ortomolecular, psicossomática, mente e corpo, pelo médico Cyro Masci. Site do autor: www.masci.com.br - email cyro@masci.com.br. Av dos Eucaliptos, 704 - Moema - SP - Tel (11) 5041-0996

10

de
maio

Probióticos ajudam a melhorar fadiga crônica

Síndrome foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1994 e se constitui de um conjunto de sintomas que inclui cansaço excessivo, baixa imunidade e dores migratórias

Por Adenilde Bringel

Milhões de pessoas em todo o planeta podem estar sentindo, neste exato momento, cansaço sem causa aparente, sonolência excessiva, dores musculares e de cabeça, prisão de ventre, excesso de gases e problemas de memória, entre outros sintomas que não são identificados em nenhum tipo de exame clínico ou ambulatorial. Em busca de respostas para esses sintomas, que atrapalham a rotina e a produtividade, os pacientes perambulam por vários consultórios, fazem uma infinidade de exames e, no fim da consulta, ouvem do profissional que não têm doença alguma. Esses indivíduos podem estar com Síndrome da Fadiga Crônica (SFC), considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como condição estressante, debilitante e de sintomatologia complexa a ponto de confundir médicos de várias especialidades.

Uma das primeiras referências sobre a SFC data de 1750, quando Sir Richard Manning observou uma doença pós-infecção que denominou de febrícula. Anos depois, nos Estados Unidos, a mesma doença foi classificada como neuromiastenia endêmica e, na Inglaterra, foi chamada de doença real. A SFC foi rebatizada, ainda, de encefalomielite miálgica causado por infecção viral não-curada no cérebro ou por reação bioquímica cerebral que atinge as áreas de prazer, porque a SFC vem acompanhada de letargia, desmotivação e falta de vontade, entre outros sintomas emocionais relacionados a medidores químicos cerebrais.

O primeiro sinal da SFC é uma fadiga que chega de forma inesperada e sem razão aparente – pode ser depois de doença na família, morte, insegurança, solidão, estresse – de evolução lenta e que atinge um nível de cansaço ou exaustão profundo. Geralmente, o problema é acompanhado de alterações do sistema imune (dores de garganta, diarréias, ínguas dolorosas, alergias); psicológicas (ansiedade, depressão, alterações do sono, irritabilidade, letargia mental, impossibilidade de concentração), além de fadiga prolongada após exercícios – que não tem alívio com o repouso –, dores e fraqueza musculares, dores de cabeça constantes, tonturas e/ou náuseas, dores articulares migratórias, diminuição do apetite e tosse. “Para facilitar o diagnóstico, foi estabelecido critério que prevê a persistência de quatro ou mais desses sintomas por período superior a seis meses”, explica a médica Jane Corona, especialista em Nutrologia, membro da Academia de Ciências de Nova Iorque e da American Association for the Advancement of Science, e autora do livro Fadiga Crônica (DP&A editora - 2000).

A médica reforça que a síndrome está relacionada ao sistema imunológico, que por sua vez tem relação com o sistema endócrino e com o cérebro, o que forma um círculo vicioso que pode afetar glândulas endócrinas e tireoidais. “O sistema imune é dinâmico e altamente complexo, e tem de reconhecer, neutralizar e destruir vírus, bactérias, toxinas e qualquer agente considerado estranho para o organismo”, lembra a especialista, ao enfatizar que tanto sistema imune quanto cérebro se comunicam por meio de substâncias químicas. Quando submetidos a situações de estresse, esses dois sistemas podem responder com mudanças de comportamento que estariam relacionadas aos sintomas da SFC. “Pode ser, por exemplo, excesso de cortisol liberado pela glândula supra-renal e que vai direto para a circulação, com efeito imunodepressor”, justifica a médica.

Cyro Masci, psiquiatra e médico ortomolecular, acrescenta que a fadiga crônica não deve ser confundida com cansaço crônico, provocado por excesso de trabalho ou estresse, embora alguns casos de SFC possam ser iniciados dessa forma. “A fadiga é, muitas vezes, desencadeada por estresse porque todas as situações que colocam o organismo em estado de alerta e exigem uma autoregulação podem desencadear uma série de doenças em pessoas predispostas, inclusive a SFC”, orienta. O especialista ressalta, porém, que o organismo deve ter condições de se autoregular e os indivíduos que desenvolvem a SFC podem estar com essa capacidade de autoregulação comprometida. A questão mais controversa é descobrir porque o organismo não consegue voltar ao estado de normalidade. “É aí que entram os probióticos”, sentencia Cyro Masci.

Efeito protetor – Não é novidade que o intestino humano é o principal fator para a imunidade do organismo, porque é por esse órgão que passam todos os nutrientes necessários para manter o corpo saudável. “O intestino produz 90% de toda serotonina do organismo, que é importante até para que o cérebro funcione bem. A microbiota intestinal é a base da imunidade”, enfatiza a médica Jane Corona. Composto de 100 trilhões de bactérias, o intestino humano também abriga inúmeros microrganismos patógenos, que podem provocar doenças se estiverem em maior quantidade que as bactérias benéficas. “Com o estresse e a falta de alimentação correta, especialmente fibras, pode acontecer um esgarçamento do tecido que campeia as vilosidades do intestino, responsáveis pela absorção de nutrientes e pela proteção contra a entrada de substâncias tóxicas e metais da microbiota intestinal”, explica o médico Cyro Masci.

Outros fatores que contribuem para o desequilíbrio da microbiota são uso indiscriminado de antibióticos, antiinflamatórios, hormônios e antiácidos, a presença de exotoxinas – substâncias químicas encontradas nos alimentos –, endotoxinas – provenientes do metabolismo de alguns alimentos ou do metabolismo dos microrganismos que habitam o intestino –, e a ingestão de alimentos com baixo valor nutritivo, como carboidratos simples e gorduras. Para manter a microbiota saudável, além de dieta composta de alimentos ricos em aminoácidos, ácidos graxos essenciais do tipo ômega 3 e 6, ferro, cálcio, magnésio, zinco, selênio e todas as vitaminas, os médicos indicam o uso constante de probióticos.

“Os probióticos são grandes aliados do intestino e, conseqüentemente, ajudam no combate da fadiga crônica porque possibilitam a reposição da microbiota e o aumento da permeabilidade intestinal, fatores fundamentais para estimular o mecanismo de autoregulação do organismo”, define Cyro Masci. A médica Jane Corona complementa que quando um indivíduo faz o reflorestamento da microbiota com lactobacilos está ajudando a aumentar a imunidade porque vai normalizar as fezes, digerir melhor os restos alimentares e regularizar o trânsito intestinal. “Os lactobacilos produzem ácidos graxos de cadeia curta que dão energia e produzem antibióticos naturais, melhoram os níveis de colesterol e triglicerídeos e têm efeito anticancerígeno. São verdadeiros mensageiros de defesa”, resume a especialista.

Publicado originalmente na revista Super Saudavel

Cyro Masci - www.masci.com.br

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